É para ter paciência?

Comprei um ar condicionado, daqueles que o soprador fica dentro do ambiente e a caixa de fora. A fabrica designou um instalador que atende à região. Liguei para o instalador e marquei hora. Ele apareceu na hora combinada? Não! O carro quebrou, o parceiro faltou, a escada é pequena… mas ele cobrou direitinho, e eu paguei conforme o combinado. Comprei o melhor ventilador do mercado, que não refrigera de jeito nenhum. Chamei o instalador de novo; hora marcada e ele me apresenta mais algumas desculpas inéditas para dizer que – de fato – comparecerá à hora que bem entender. Eu entendo: Sou o neurótico obsessivo por tempos e horários. Não admito atrasos no começo de uma tarefa nem atrasos na entrega do combinado. Ainda prezo a qualidade do que combinei entregar. O elevador do prédio onde moro quebrou (são dois). Como quem tem um não tem nenhum, quem tem dois, tem um. Vivo há quatro dias com uma plaquinha de manutenção preventiva fixada no hall de entrada do prédio. Parece que existe uma diferença grande entre entregar/instalar e prover manutenção. Gente, as coisas quebram (ou penso que vão quebrar um dia). Os relógios de horas e temperatura da cidade de São Paulo estão “mudos”. É que o contrato de manutenção venceu e agora é que a prefeitura vai publicar uma licitação para contratar uma empresa… blá, blá, blá… é assim? Segundo a Veja São Paulo, cerca de 30% da frota da CET está parada aguardando manutenção. Antes que eu escreva – sem comentários, o percentual de arrecadação financeira em multas este ano que passou foi maior que o da frota parada. Para uma cidade que licencia 1000 veículos por dia (MIL), a CET adquiriu SETE no ano.

É uma questão de matemática: a demanda cresce em progressão geométrica e os recursos crescem em progressão aritmética. Nem preciso mencionar onde está a qualidade dos serviços prestados.

Tudo que depende “deles” se enquadra nesta formula. Eu coloquei como titulo a pergunta se é para ter paciência. A resposta é NÃO! Alguns dias passados encontrei dois colegas de trabalho ao chegar no escritório. Estavam cansadíssimos, como se tivessem virado a noite.

– O que aconteceu? A balada foi boa?

– Viramos a noite por conta de uma infecção por vírus.

Se fossem “eles”, eu teria ouvido:

– Sabe, houve uma infecção por vírus na empresa, mas era fim de tarde, parecia que ia chover… ah, a gente trata amanha de manha. Liga pro fornecedor, ele agenda a visita de um técnico… dane-se o usuário, afinal quem mandou não seguir as regras. Ah, e ainda vou desligar o celular para não ser incomodado.

Mas como somos “nós”…

– A gente percebeu a infecção no fim da tarde, e como a empresa não pode parar, a gente reuniu o grupo, montou a equipe de choque a garantiu que no dia seguinte, quando os usuários chegassem, a infecção estaria debelada. Agora estamos montando outra equipe de rescaldo, para apurar como aconteceu e criar um plano de ação para que este problema não volte a ocorrer. Depois que estiver tudo sob controle a gente senta. Agora não dá.

Sabemos exatamente quanto custa nosso tempo, quanto é o valor do prejuízo por parada não programada, sabemos a diferença entre a progressão geométrica e a aritmética.

Obrigado ao Domingues e ao Marcelo. Por favor, compartilhem meu agradecimento com seus colegas da equipe.

PS: a marca do ar condicionado é Eletrolux.

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