Sem medo da SOX – parte 1 de 3

No Brasil, o mercado de grandes empresas diz estar cada vez mais bem-preparado para colocar sua sustentabilidade à prova. Mas a preocupação em aderir à Sarbanes-Oxley ainda impacta mais processos do que a infra-estrutura tecnológica

Há males que vêm para o bem. Caso sua empresa considere gastar tempo e dinheiro demais planejando as formas de adequação a requisitos fundamentados em boa governança corporativa, como a lei Sarbannes-Oxley, muito provavelmente os esforços de hoje não terão sido em vão. E então até mesmo a analogia de SOX com um “mal” deixará de fazer sentido nas corporações: se por um lado os custos de adaptação à lei estão na casa dos milhões de dólares (média de 7,8 milhões de dólares apenas para a seção 404, entre 90 empresas mundiais pesquisadas pela Deloitte), por outro lado, de acordo com levantamento da consultoria Mckinsey, 76% dos executivos pagariam mais pelas ações de empresas que adotam boas práticas de governança. E a expectativa de aumento dessas ações é de 24%. Com ou sem SOX, quem se comportar bem e puder provar isso será recompensado pelo próprio mercado.

Mas para atingir o nível de transparência e agilidade na prestação de contas exigidas pela SOX (já que os prazos para a geração de relatórios ficaram mais curtos), é preciso repensar processos, redesenhar até estruturas inteiras de TI e, o mais difícil: modificar a cultura empresarial. A boa governança depende fundamentalmente da conscientização das pessoas sobre práticas corretas de se lidar com a informação.

E, nesse contexto, o CIO pode vir a se tornar um grande guru. A primeira missão do CIO, como líder de TI, é enfrentar alguns desafios imediatos, como aumento nos custos da área, “perda de tempo” de funcionários documentando a conformidade de normas, necessidade de maior colaboração entre várias pessoas e de menores ciclos de relatório além de integração dos vários sistemas empresariais (especialmente em empresas que passaram por fusões e que por isso extraem informações financeiras de diversas fontes) para se obter uma visão única das atividades e dos dados do negócio.
Isso tudo traz dor de cabeça e não oferece aumento de receita palpável. Conforme levantamento da AMR Research em 2006, do total de investimentos aplicados até o final de 2005 em compliance, quase 30% foram para tecnologia. Mas a onda levantada por SOX também proporciona a descoberta de capacidades e funcionalidades até então inexploradas dos ERPs, além da eliminação de processos redundantes e improdutivos e maior controle dos procedimentos internos – a base para uma corporação mais competitiva

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