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AirbusA320  

Dia 15 de janeiro próximo passado, um Airbus A320 da   companhia aérea US Airways realizou, às 18:30 horas, um  pouso forçado no rio Hudson, em Nova York, num frio que eu não consigo fazer idéia de tão frio. Pesquisei e descobri que, do dia 1o de janeiro até hoje (dia 26 de janeiro), aconteceram 20 acidentes aéreos no mundo… quase um por dia. Pouso forçado também é acidente. Pousou diferente do treinado: acidente! O site dos acidentes, para os curiosos de plantão é este aqui.

Fato: 150 passageiros e cinco tripulantes sobreviveram. Isto é 100%. isto é TODOS! Isso é Fantástico.

Isto é surpreendente?

Não, se é exatamente isso que todos esperam de um desastre.

Sai avião, entra Data Center: O ar condicionado pifou, a sala esquentou e pegou fogo nos servidores. Ou: passa um cano d’água (aquele do banheiro que fica ao lado do data center) que estourou, minou a parede e provocou curto nos equipamentos elétricos. Tá indo bem? Alguém tem seu próprio causo para compartilhar? Conta aquela do pessoal, que com medo de inundação, instalou o gerador do data center no ultimo andar e que os toneis de 200 litros de diesel  subiam pelo elevador social… falta luz, o gerador entra mas o diesel não sobe.

Desastre no data center do outro é causo…

Quero ver sair desta com ZERO de perda de dados!!!

De volta para o avião. Quantidade absurda de tecnologia embarcada, para voar, aterrissar e até acidentar. Um grande projeto de engenharia. Toda a equipe de TI (ops, tripulação) treinada à exaustão em fazer decolar, aterrissar e como se portar se cair. E os usuários (ops, passageiros). Ah… estes estão treinados também. (querida Microsoft, por favor atualiza meu dicionário para eu não apanhar da gramatica nem ficar com as palavras sublinhadas em vermelho aqui).

Antes do avião decolar existe um treinamento que o pessoal de TI (comissários de bordo) explicam aos usuários (passageiros) de como a tecnologia que está sedo colocada à disposição deles deve ser utilizada. Eles, os americanos prestam atenção. Nós brasileiros, sabemos tudo a respeito deste treinamento… sabemos tanto que continuamos falando ao celular, lendo revistas, conversando de pé com nossos amigos na frente do comissário de bordo… a fileira da porta só existe para esticarmos as pernas. Até desafiamos a tecnologia fingindo afivelar o cinto de segurança, imitando motorista de taxi rsrsrsr.  Somos os tais mesmo!

Treine como fazer, faça como treinou. Principio básico dos Planos de Continuidade de Negocio. A gente apresenta os cenários de desastre, calcula a probabilidade deles ocorrerem, depois calcula o impacto caso um daqueles cenários se torne realidade e então temos como resultado o Grau de Risco.

Risco = Probabilidade x Impacto. Mensuramos monetariamente o risco e decidimos se arriscamos (apetite) ou mitigamos (rejeitamos, transferimos ou aceitamos). Depois treina, treina, treina, melhora o processo, treina mais um pouco…

De acordo com o numero de vôos que ocorrem por dia no mundo, e o numero de quedas de avião, a probabilidade é baixa, muito baixa, mas o impacto é alto, muito alto (vidas humanas não tem preço). Logo, próximo de zero vezes próximo de infinito nos diz que o risco de se perder uma vida humana é: não tem preço.

De volta para o data center: a vantagem do data center sobre o avião é que no data center as vidas humanas são dados, e dados a gente sempre tem backup. TEM?????? hei, to perguntando, tem backup??? ou você é um passageiro brasileiro?

De que adianta data center de reserva (terceiro, co-location, outsourcing), de que adianta equipe de TI com conhecimento e capacidade para cuidar de um evento destes e colocar a operação no ar de novo rapidinho se o passageiro não ajuda? Passageiro tem de ajudar, faz parte do processo!

Meus queridos amigos de TI: vamos empenhar mais nossos recursos para sensibilizar o nosso usuário. Os dados são dele, mas nós fomos contratados como fieis depositários e guardiães das informações de negocio. Não podemos deixar o usuário à própria sorte. Afinal a tripulação do seu avião fará tudo para ajuda-lo num momento de emergência.

Quando elaborarem um PCN, reservem recursos para treinamento, muito treinamento, porque se algo acontecer e os dados deles não forem resgatados… eles saberão de quem foi a culpa.

Um Abraço.

PS: não são todos os motoristas de taxi que afrouxam o cinto de segurança, como não são todos os usuários que arriscam os dados da empresa, como existem brasileiros que prestam atenção às instruções. Mas que os aviões caem e os data center vão pro espaço… isso é fato.

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5 Comments

    • Rosangela Figueroa
    • Posted 28/01/2009 at 18:35
    • Permalink

    Fantástica tua contribuição….

    Afinal, fazer a Gestão da Continuidade sem considerar PESSOAS….

    Bem, estou multiplicando a informação e vamos mantendo contato.

    Abraços

    Rosangela

  1. André, parabéns!

    Fantástico o artigo e as analogias. Como diz o mineiro, cada “causo! que existe em TI.

    Abcs

  2. Andre, eu me lembro de um caso na Schlumberger nos anos 80 que o andar inteiro do prédio da Almirante Barroso foi detetizado e as baratas fugiram para dentro das panelas dos discos do VAX 780, resultado os discos sofreram um crash, foi a primeira vez que eu soube de um caso de crash biológico.

    • Aleksandro Carvalho
    • Posted 01/02/2009 at 21:10
    • Permalink

    Muito boas analogias mas de avião entendo eu

  3. Caríssimo muito bom! Excelente contribuição.


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